Sempre
que Jesus fala sobre o perdão deixa implícito
que trata de uma prática que transcende à realidade
e imaginação humana. (Lc. 6.35). “Amai,
pois, a vossos inimigos...”. Deixou bem
claro que a nossa atitude para com o fracasso
do nosso próximo, tanto pode abrir como
fechar para nós o acesso à comunhão
e compaixão divina. (Mt. 6.14,15) “Porque,
se perdoardes aos homens as suas ofensas, também
vosso Pai celestial vos perdoará
a vós” “Se, porém, não
perdoardes ... vosso Pai vos não perdoará as
vossas ofensas”.
Vez
por outro nos deparamos com pessoas angustiadas
por terem praticado incontinências que se
tornaram traumáticas para a sua vida e de
outros, mas, arrependidas, buscam a compreensão
e o perdão daqueles a quem fez sofrer.
E, em muitos casos, a ofensa foi tão forte
que nada além do verdadeiro perdão
tem o poder de restaurar. E nós, que nos
declaramos filhos de Deus, nem sempre reagimos
aos clamores de perdão do nosso próximo à luz
do perdão ensinado por Jesus. Na verdade,
a maioria das vezes, a nossa atitude para com
os nossos algozes se assemelha à do credor
impenitente de Mateus 18: 23-35, que, recebedor
do perdão de uma
grande dívida, não teve a mesma atitude
de compaixão e perdão para com o
seu devedor. O credor impenitente, daí a
sua alcunha, não reagiu com atitude de compaixão
e perdão para com alguém que clamava
o perdão por ter vivido a mesma desdita
que ele viveu no passado.
O
clamor do devedor aflito de nada valeu, (Mt.18.29) “...
antes foi encerrá-lo na prisão, até que
pagasse a dívida”. Refletindo
detidamente a respeito da atitude do credor impenitente,
cumpre nos perguntarmos: será
que não temos agido semelhante a ele? Acredito
que você, assim como eu, já fracassou
muitas vezes, não
é verdade? Mas, uma coisa é
certa, eu e você temos ciência dos
motivos de cada um dos nossos erros, e, muitas
vezes, o conhecimento desses motivos tem sido o
nosso argumento para defender o nosso rancor, amargura
e ódio para com os nossos ofensores. Outra
coisa, como credor impenitente, empregamos pesos
diferentes para avaliar as nossas falhas em relação
à dos outros. Na verdade, quando erramos
queremos receber compreensão,
compaixão e perdão, mas, quando o
erro é do outro, nos tornamos carrascos.
A capacidade para perdoar como
Jesus perdoou, é
subproduto da bondade e do poder reconciliador
de Jesus Cristo. (Rm. 5.10) “... nós,
sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela
morte de seu Filho...”. O amor de Deus, derramado
em nossos corações, capacitará o
nosso ser para amar e perdoar. (Rm.5.1,5) “TENDO
sido, pois, justificados pela fé, temos
paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”
“... porquanto o amor de Deus está
derramado em nossos corações pelo
Espírito Santo que nos foi dado”.
Portanto, só o amor de Deus nos habilitará
a um viver sem angústias. Somente o amor
de Deus nos traz a constância quando há crises;
a paz quando há
confusão; amor quando há violência
e o perdão quando há transgressão.
(Rm.5.3,4) “E não somente isto, mas
também nos gloriamos nas tribulações;
sabendo que a tribulação produz a
paciência”. “E a paciência
a experiência, e a experiência a esperança”.
Assim, concluímos:
Ninguém poderá
praticar o verdadeiro perdão sem que tenha
a capacitação do alto, que vem de
Deus, nos trazendo sempre a disposição
em perdoar àqueles que nos ofendem. Portanto,
como está
escrito: (Mc.11.25,26) “... perdoai, ...se
vós não perdoardes,... vosso Pai...
não perdoará
as vossas ofensas”.